quinta-feira, 22 de julho de 2021

Série Poetas da África


Nasceu o homem em mim quando meus olhos brilharam nos teus.
Teu amor revelou-me o céu: 
Já não sou mais eu, o menino em mim morreu...
Sou homem e sou teu! 

Agora vagueio pelas ruas álacre 
Animado pelo beijo que minha alma recebeu dos teus lábios... 
Criei asas e posso voar
Em ti sou cativo e contigo vou até o infinito. 
Já nada mais pode nos parar 
Uma vez estrela não se pode mais parar de brilhar 

E neste amor somos assim 
Estrelas no ar de nossos corações a brilhar, somos divinos mesmo em nossa humanidade 
Somos reais cristais de felicidade jorrando laivos de poesias 
Espelhos de nossas almas em univocidade!

Nos teus olhos me descobri, deixa-me neles mergulhar até a profundidade! 



Jub Esunga
Maio/2021
Benguela/Angola

temos um projeto que ainda não posso falar

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Série Poetas da África



Além do Oceano 


Além do oceano escrevi meu poema 
Cantei minhas estrofes 
Derivei meus versos 
Narrei minha história 
Conquistei meu espaço 
Realizei meu desejo 

Lá!
Do outro lado mundo corri na direcção do amor e realização 
Lutei como um leão 
Acendi meu ego 
Deambulei com a metáfora 
Enfrentei a hipérbole 

Além do oceano meus olhos brilharam 
Meu coração vibrou 
Minha alma clamou
Minha língua confessou 
Minha vida transbordou 
Meu destino surgiu


Benilson Gaspar 
Luanda/Angola

19/07/21

com ele fiz o primeiro dueto poético: Realce do amor

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Enganos


Chegou fazendo barulho
Ocupando os espaços
Parecia ser a felicidade

Entrou
se instalou
e foi ficando…

Permiti
deixei que ficasse
Foi toda sua
vivi a liberdade

A alegria não durou muito
Por algum tempo
deixei que me enganasse

Achou que nada via
Fingi que nada percebia
E você ria...

Agora,peço que vá
nem precisa se despedir
É só sair,simples assim!

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Um olhar de confirmação


Adrielly,teimosa como só ela! Corria pela casa,chamando sua avó para brincar de esconder. Em dado momento,tropeçou em algo e caiu.
Abriu o berreiro,se lamentando:
-Tá doendo! Tá doendo!
-Falei pra não correr feito doida. Disse sua avó, enquanto lavava os pratos.
Depois de acalmá-la,sua avó voltou ao que fazia,dizendo-lhe:
-Chore não mulher! Vai passar. E assim que eu acabar esses pratinhos a gente brinca. Tá bom?
-Ta doeeeen-do vó!
-Deixe vovó acabar,já falei.
A menina olhava a avó contrariada,insistia que não ia parar de doer.
Sua avó, calmamente brincava com a situação, enquanto falava que tudo passa,nada dura para sempre. Mesmo a dor,uma hora acaba.
-Vó…tá doendo muito!
-Vovó já olhou. Nem machucou tanto!
-Machucou muito,sim!
-Deixe de fazer zuada,menininha de vó!
A avó olhava para a neta com um sorriso contido. E falava de como sabia o que era sentir dor. Por isso,sabia que ia passar.
-Mulher, vovó ama essa menininha dengosa, linda!
-Você já tabou de lavar os platos vó?
Perguntava ela,com seu linguajar próprio da fase. Tinha cerca de três anos e dois meses. E a cara mais sapeca e amada de toda a família.
-Falta só limpar a pia. Tô indo!
-Quer passar aquela pomada da vó?
-Telo não!
-Por quê?
-Vai doer muito vó!!
-Vovó sabe que quando a gente sente dor,pensa que não vai passar. Mas passa.
A menina berrou ainda mais alto. Impaciente pela dor e por esperar os dengos de sua avó,como de costume.
Mas,pouco a pouco ficava mais calma. Esperando que a avó,enfim, terminasse aquela limpeza na pia 
-Quando você  tabar,a gente vai blincar de escondê?
-Melhor não,você pode cair outra vez.
-Vó,eu não vou tair...você vai contar: dois,cinco,nove e eu vou escondê.
-Tá bom,a gente brinca depois.
No rádio tocava uma música. Ambas concentradas nos seus próprios pensamentos,ouvia o rádio sem saber quem ou que cantava.
Adrielly fez mais uma reclamação. Sua avó tornou a afirmar que a dor iria passar,ouvindo a mesma resposta.
Enquanto,terminava de organizar a pia. Viu um olhar de confirmação de suas palavras.
Porém,a menina a olhou meio de lado e voltou a olhar para o quintal. Estava sentada no banquinho,ao lado da pia,onde sua avó a colocou até poder lhe dar toda a atenção.
Agora, totalmente calma, já não segurava impaciente o paninho que sua avó lhe emprestou para cobrir o arranhão superficial no seu joelho esquerdo. Mais um para sua coleção.

Cansante

O lodo virou mofo. No teto,no chão, nas paredes do banheiro  na pia,no vaso sanitário...até no espelho! Na cozinha,gordura virou...