quinta-feira, 18 de junho de 2026

(des) Conexões

Um quadro na parede
velas alumiando a parede
Um retrato da família 
álbuns espalhados no chão
Lampejos...almoço de família 
os cheiros vindo da cozinha
Gente reunida: aquele climão.
Na rede,alguém viaja nos pensamentos
vive preso nas dimensões do tempo.

Ninguém rir naquelas fotos antigas
a vida era em preto e branco
No lado de fora alguém fuma um
 cigarro pigarreando
A música,baixinho,vai preenchendo 
cada momento.

Nas redes sociais ninguém é infeliz 
todos juram estarem perto
sem sair do canto
É tanta vlogagem e blogagem...
podcast e canais especializados
na felicidade daqueles dias
Sem o tek-tek,sem as notificações 
se fazendo urgentes.

E como bananas escrevem as lembranças 
dos dias de liberdade
E da simplicidade que a todos envolvia
na sensação de segurança
Sem traumas,sem desconfianças.

Plugados e desconectados
conectados com mundos individuais 
A vida parece um inferno
onde cada zumbi jura viver
num tempo mais avançado.



Valdelice Nunes 
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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Olhares

De longe na rua 
tão bela figura 
No Largo de Fátima
Parou (disfarçadamente)
esperou atravessar a avenida 
Não sei se era comigo
e,se fosse...
Não teria nada de errado
Admirar e ser admirado 
É algo comum
E,algumas vezes, inesperado.




Valdelice Nunes 
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quinta-feira, 4 de junho de 2026

O que os olhos não veem...os ouvidos dizem outra coisa

–Marta,meus peitos estão doendo...
–Sei como é irmã...a gente saiu logo cedo e a Érica deve está dando trabalho depois de tanto tempo sem mamar.
–Essa jornada pedagógica precisava ser aqui em Arapiraca, Selma?
–Tambem não entendi isso...minha leitura é pouca!
–Selma,vamos lá no banheiro.Já estou febril...daqui a pouco vou passar mal!
–Vai fazer...
–Lá eu digo o que vamos fazer.Anda Selma,levanta dessa cadeira!
–Deixe de ser impaciente,Marta.Eu tô pegando minhas coisas e arrumando a bolsa.Quer que tudo fique aqui largado até a gente voltar?
Alguém fez pedido de silêncio e outras pessoas concordaram dizendo que elas estavam atrapalhando a compreensão sobre o tema da palestra,que era a terceira daquela manhã.
–Fechou a porta Selma?
–Fechei...
–Olhe como tá duro...
–Tô vendo!
–Tá muito dolorido...
–Sei que dói.
–Selma...
–Nem me olhe assim Marta!
–Só um pouco!
–Tá muito peludo,não vou botar a boca aí!
–Mameeee...um pouquinho.Eles vão explodir!
Na praça de alimentação do shopping alguns olhares tortos voltados para a mesa onde Selma e Marta estavam sentadas almoçando,fez com quem ambas sentissem algo no ar.
–Selma, acredito que esses olhares explica o que aquela moça da limpeza, lá no banheiro, falou.
–Será Marta?
–Lembra o que ela disse?
–Abre aspas: "É cada tipo de vagabunda nesse mundo!" Foi exatamente isso,Selma.



Valdelice Nunes 
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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Odonata


A purificação está acontecendo 
não começou a pouco tempo 
Aqui ainda nem tinha dinossauros 
Os soldados 
são hábeis em adaptação 
Passam por mutações 
se tornam seres aéreos–terrestres
Predadores de outro mundo 
correm o risco de perecer





Valdelice Nunes 
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(des) Conexões

Um quadro na parede velas alumiando a parede Um retrato da família  álbuns espalhados no chão Lampejos...almoço de família  os c...