Ele vinha de uma noitada com a namorada,ao chegar numa esquina foram abordados.Um moço oferecia,de graça,uma balinha...
Eles gostaram do doce,voltaram lá para comprar mais: uma,duas,cinco vezes.Não deixaram mais de comprar.Passaram a provar muitas outras balas.Só precisavam pagar por cada dose,o período de amostra grátis havia acabado.
Já a necessidade de manter o prazer,essa não se afastava do casal nem dos novos amigos que a cada festa a eles se juntavam.Outras vezes era só um encontro com amigos para conversas simples sobre como a pressão do dia a dia sufocava.A realidade os amedontravam.
A vida era chata,cheia de compromissos e pedia uma dose de ilusões e a "balinha" os transportavam.
Uma jovem andava nervosa,tudo lhe aborrecia,uma consulta fora marcada e no dia agendado estava no consultório para enumerar suas queixas.Esperava ajuda e alívio,até voltar a ser "normal" como antes...
Fora ouvida,examinada sem agulhas nem aparelhos esquisitos,depois recebera solicitações para exames específicos,retorno agendado.
A receita lhe foi entregue,comprou um ansiolítico "leve",umas vitaminas e a vida daquela moça nunca mais ficou longe das doses aumentadas ou diminuídas,tinha também a troca de medicamentos de tempos em tempos.
E segue fazendo acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde e tendo seus remédios garantidos nas farmácias do Sistema Único de Saúde,o importante é que ela não se descuide.Em algumas consultas acaba sendo agraciada com amostras grátis de medicamentos que estão sendo introduzidos no mercado.
Valdelice Nunes
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